Naquela manhã (são idos tantos anos que a memória inventa imagens novas) o Sol levantou-se sem o aparato do costume, deixando-se ficar uma imensidão de tempo antes de ultrapassar as montanhas do horizonte. Ambos tememos que a noite passaria a eterna, que a escuridão se prolongaria sem respeitar a vontade da luz. Felizmente, passados os instantes que não consigo precisar, verificámos que a nossa sonolência confundia a percepção e era a vontade de continuarmos no aconchego do leito que distorcia a realidade. Passado um pouco foi o despertador que obrigou à conformação, à certeza que o tempo, em rigor, nunca é o nosso, mas nos é dado, dia a dia, talvez consoante o merecimento.
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