31/03/2008

não se pode ouvir o Nada


tanta pressa... lá vai

Casó una dama com un licenciado,
tan poço desenvuelto y poço ativo
que parecia sepulcro de hombre vivo,
según dormia siempre descuidado.
A la dama le daba tanto enfado
la consideración de lo que escribo,
que agora le notaba de mui esquivo,
agora de muy necio, aunque letrado.
Una noche, depués, com gran pereza,
dijo: “Senõra, pídoos como Hermano…”
No sé qué dijo allá de matrimónio.
Dijo ella por burlar de su simpleza:
“Que me place, mas venga el escribano,
que lo tome, señor, por testimonio”.

Jardim de poesias eróticas do Siglo de oro.

quem virá?

Será que atrás de tão distinta família, aí na passadeira da fama, vem um naco de poesia? Ou, quem sabe, umas espanholas, copiosamente prometidas?
Vem é Nada. Claro!

Famosa passadeira


23/03/2008

haja paciência

O tempo vai passando, pinga suavemente como o frio e nem sinal: Nada! Nem poesia, nem espanholas ... Nada.

20/03/2008

reposta a verdade

Anda um certo queixoso a reclamar. Mais grave: avança hipótese de furto às suas belas postagens. Com franqueza... haja um mínimo, mesmo que (quase) Nada.
Mas cada qual é como é e este Blogue é a democracia em estado puro.
Fica reposta a verdade e a postagem. Doravante não haverá censura.
A arte em causa chamava-se "quase Nada". Ao vosso critério...

19/03/2008

primeiro as senhoras

Talvez que a revelação do falso sequestro, alegado sequestro ou rapto, digamos, faça ressuscitar Edgar Lopes, em tempos Edgar W. Lopes, quando perdia os dias na agência Investigação Sigilosa. Agora, afunda-se no bar Afunda e só o milagre pode trocar a sua condição de suspeito pelo enlevo de Marilinha Misse, agora de regresso. Qual Sertório Egídio e sua danada filha, Renata Emília. Nada disso, “a urgência é conversar com a Marilinha Misse num lugar com três metros por dois e meio. O champanhe pode esperar. Primeiro as senhoras, não é?”.

Isto, mas muito mais, é o resultado de uma prosa corrida e saltitante de humor. O autor, Mário Zambujal. O chamado, Primeiro as senhoras – relato do último bom malandro (Oficina do Livro, 2006).

voz baixa

O Falinhas é um filósofo que distribui copos pelas mesas do Bar Afunda, respeitável estabelecimento de que este declarante é co-proprietário. Ser-me-ia grato ter o senhor Inspector como convidado para umas flutes de champanhe, do bom, quando desembrulhar este novelo todo.
Conhecerá então a minha sócia, Bruna, cento e catorze quilos e uns bíceps que põem os vivaços em sentido. E o falinhas. O sinal particular do Falinhas é o tom de voz. Ele não fala, segreda.

Mário Zambujal, Primeiro As Senhoras.

no enlace

Eis senão quando, o inimaginável acontece: salta-nos pela janela um fulano de pistola apontada. Era moço dos seus vinte e poucos, arruivado, barbicha e óculos redondos. Calado, fazia dançar o cano da arma, em movimentos laterais, abarcando o grupo.

Cagaço geral, bem entendido. A louraça que ajudava à mesa deixou tombar uma bandeja com taças de caviar vermelho do Cáspio. Uma senhora madrinha superou-a: tombou ela própria, na queda arrastou a toalha, um cagaçal de porcelanas e cristais escaqueirando-se no chão de mármore.

Do meu ponto de vista, o preocupante era o nervosismo do rapaz. A pistola tremelicava nas mãos deles. Melhor que ninguém, o senhor Inspector sabe como os salteadores assustados se tornam perigosos.

Mantive o sangue frio. “Calma, amigo”, disse-lhe. “Não é preciso entrar em disparates”. Acto contínuo, saquei da carteira e coloquei-a sobre o tampo da mesa. “Aí tem”. Pensando melhor, voltei atrás: “vou tirar os documentos. A si não interessam e poupa-me a chatice das burocracias.” Assim, nas calmas.

Todos me imitaram o gesto, inclusive na preocupação de subtrair os documentos. E lembro-me que a minha mãe, mulher decidida, saí a ela, arrancou do pescoço o faiscante colar mas teve a decência de prevenir o sacaninha: “É pechisbeque, não vale o incómodo de o avaliar no prego.” Finalmente, o bichano miou. Mantinha a arma em posição de disparo e disse: “Não levo nada dessas merdas” (…) Quero o vestido da noiva.”

(…)
Corri a entrepor-me enquanto a mãe arrancava um cortinado para que descesse o pano sobre o setripe. E só ela, a Gilberta, passou pelo aperto sem desarmar o sorriso. Grande noiva, direi sempre.

Mas o patife arrancou, de motoreta, encontrámos abandonada na relva do jardim a arma do crime: um irónico brinquedo de plástico. Mas a história, senhor Inspector, só teve o epílogo quinze dias depois.

Quinze dias depois, manhã cedo, aparece no portal da moradia um pacote volumoso. Abre-se e o que sai? O vestindo da noiva. Limpo, passado a ferro e acompanhado por um rectângulo de cartolina com a palavra: Obrigado.

Soubemos, desse modo, que o larápio se apressara a concretizar o seu plano matrimonial. Nunca mais o vi. Esse apresentou-se de cara descoberta, reconheço-o se passar por ele em qualquer esquina da cidade ou do mundo. Então pergunto-lhe: “A esposa como vai? E o vestido, serviu-lhe?”.

Mário Zambujal, Primeiro As Senhoras.

18/03/2008

antes de mais


recomendação

Atitudes inesperadas, quase ataques cibernáuticos, têm prejudicado este diamante. Consequência: o povo não corresponde, os comentários estão ao nível deste servo... Nada. Amanhã avanço com poesia erótica espanhola. Selecta, claro. Agora vou descansar; caso contrário não durmo... Nada.

16/03/2008

afinal, havia o Nada

POBRE DE TUDO, excepto de o saber,
Volvo atrás para ler
Aquele anúncio à porta da morada
Do regedor do Nada
Onde se diz que alguém perdeu na rua
Uma alma que era sua,
E quem a achasse que a trouxesse ali
Onde o anúncio vi.
Encontrei-a, escondia-a, não a dei
Por achada ante a lei.
Mas sofro a dor de não poder saber
Dela o que hei-de fazer,
Que ter uma alma a mais faz pena e dó:
São dois a um estar só.

Fernando Pessoa, 1934

15/03/2008

um tiro em... Nada


bem...

Tinha deixado por aqui uma coisa escrita. Até era bem delineada, devidamente enquadrada no esprírito do blogue e da vida actual. Afinal... onde anda ela? Procuro e Nada. Raio de nome!

13/03/2008

nada a ver com... letras de canja!

Pois também aqui se lê e a filosofia é sempre precisa.
Filosofia barata

Nem sempre vale a pena ir pela auto-estrada.

"Tcheng-Tchao tinha combinado estar em Carcavelos às 4 da tarde e pensou: “Pela nova auto-estrada chego, com certeza, mais depressa! Levarei, no máximo, quinze minutos.” Em oito minutos chegou à portagem, e, satisfeito, puxou de uma nota de dez contos – o único dinheiro que trazia consigo – para pagar. O funcionário, delicadamente, disse: “Não tem mais pequeno?”
“Não”, retorquiu Tcheng-Tchao, com cortesia.
“Tem a certeza?”, insistiu, com um sorriso, o jovem funcionário da Brisa.
“Ó meu amigo, não hei-de eu saber a massa que trago comigo?”, respondeu, paternalmente, Tcheng-Tchao.
“Assim não vamos a lado nenhum…O senhor ponha-se no meu lugar e pense que todos me apareciam com notas de dez contos! Isto não é um banco, pá, é uma portagem” – esclareceu o funcionário.”
“Ó chefe, deixe-se de lérias e dê cá o meu que tenho de estar em Carcavelos daqui a dois minutos.”
“Quero lá saber! Não tem por acaso Visa? Multibanco? Mastercard? Diner’s?”
“Não.”
“Eurocheques? Ecus? Dólares? Marcos? Pesetas?”
“Também não.”
“Então terá de me acompanhar ali ao escritório para falar com o fiscal”
Quando chegou a Carcavelos às cinco e vinte, munido de uma nota de crédito da Brisa no valor de 9.920$00, Tcheng-Tchao pensou com amargura: “Cum caralho, devia ter ido pela marginal. Nem sempre vale a pena ir pela auto-estrada”.

Carlos Quevedo (Já Não Me Lembrava...com Miguel Esteves Cardoso e, provavelmente, Alberto Castro Nunes e António Maria Braga)

12/03/2008

Irritação

Poucas coisas existem que me irritem mais que pessoas ignorantes convencidas que são alguma coisa especial.

prioridade

Liguei para o Falinhas. Depois de instalado na furgoneta do bar Afunda, apeteceu-me assobiar. Ainda não inventaram nada melhor que a sensação de alívio, seja da cabeça ou da barriga.

Mário Zambujal, Primeiro as Senhoras, 2006

11/03/2008

princípios

Embora a cereja pareça um tomate, não posso senão entranhar na minha secura estes últimos princípios. Que aguardem e lamentem aqueles que suavemente aguardam...

10/03/2008

C P e ss.

CARTA DE PRINCÍPIOS (e seguintes)

Ponto um – Causas e defeitos

Ponto dois – Conclusão

1.
O Blog diamantedetalco (SARI) nasceu duas semanas depois do termo, em razão do aconchego que ali se sentia.
O motivoleite (leitmotiv), vulgo desiderato, do empreendimento tem uma causa próxima e outra mediata (quando foi transcrita por completo e uma vez feitas todas as correcções, a acta media 1,4329 dm).
A primeira não interessa.
A segunda é sucinta, clara e simples.
Foi que (como deve dizer-se) o pessoal cuja pena, a bem dizer, até dá pena (uma pena suave sem qualquer utilidade às miúdas) necessitava de alguma compreensão do mundo.
E necessita…
E pediram. São educados.
E insistiram. São teimosos.
E pagariam. São calotes.
Foi aceite.
As razões são públicas:
Primeira, um Anjo que o cuida ser e posta quadros caros só com nuvens (uns gamados e outros para gamar…)
Segunda, um angustiado Maio que, todas as manhãs, toma pastilhas solúveis de melancolia
Terceira, um tipo fixe, embora, o Sr. Castro, que não podendo fumar onde lhe aprouver, bebe Perrier e ouve músicas de um filho da…
Quarta, a defunta R. Madresilva (que está longe de ser a RM, meus tontos!), defuntada em nosso louvor (condição imposta, nascida do seu intenso arrepio ao Blog original mulhernaoentramascomepontocom)
Por último, um tal de Júlio letras (letras só na canja, ó amigo!) que devaneia em resumos literários (copiados).
Perante a desgraça, ergue-se a amizade. È nestes momentos…
Assim, por amizade (mas sem prejuízo da conta de valor acrescentado da luz eléctrica e mais 0,362% para as fotocópias) constituímo-nos.
Somos.
Somos um Blog de suporte.
Não por os suportarmos, mas em razão de qualquer coisa ainda por descobrir.
Morremos (por certo brevemente) por eles.
São estas as causas.
Defeitos? Não temos (J.P.).

2.
Conclusão.

Ugo m. Pessoalmente e em nome dos dois demais sub-apoderados.

(deixamos a cereja debaixo desta….)

09/03/2008

08/03/2008

Mulher

No dia internacional da Mulher só consigo, não sei porquê, pensar em determinadas "senhoras" que se deslocam no fim-de-semana ao "Ar d' Rato". É fácil reconhecer nos seus olhos o desespero, que se agarra à alma e ao corpo, de uma hipopotermia sexual, que caso não seja colmatada irá forçar a longas e completas transfusões sanguíneas.
As restantes mulheres que me perdoem, caso consigam, a minha mente..

05/03/2008

pequenos só o dias

Acabava de comprar o Público (deixo em letra grande, mas apenas a primeira letra, para que se não confunda com a humanidade), ou seja, um jornal diário que custa infinitamente mais que aqueles semelhantes que nos oferecem (quer dizer, de borla). Uso a expressão infinitamente porque não tenho moedas de zero cêntimos que me permitam a operação matemática e um amigo de engenharia disse que qualquer coisa com zero dá zero, só que eu tive de pagar!
A questão não tinha a ver com a leitura. Foi só a ocasião! Estava, então, a comprar o dito jornal, porque hoje tinha um director diferente. Eu também gostava de ser ministro por quinze minutos, mais precisamente aqueles em que se viaja no Falcão sem problemas…
E, quando estava a comprar o dito jornal, oiço, num grito guinchado, mesmo do lado direito, que é por onde detecto melhor as sonoridades, Adolfo…
Como sabeis, receio que o nome se complete com o último apelido.
Ao ver que era a Felicidade (nem sempre tem sido e, por isso, a primeira letra maiúscula tem aqui todo o propósito e garantia: temo-nos zangado com um hábito tão grande como o que temos de cuidar da higiene corporal, ou coisas assim…) acautelei logo inho, Adolfinho. Como a Felicidade estaria numa tarde de (in)felicidade – o novo namorado anda a teimar que só casam se houver total separação de bens – respondeu-me logo que diminutivos é só no fim: ó diasinhos, tu serás sempre o meu Adolfo!

02/03/2008

tudo tem uma causa

Cada postagem tem uma razão de ser. A primeira deve identificar o postador, a sua origem, o encanto do seu propósito. O meu está no nome. Não propriamente o encanto, mas o dissabor justificante. Nascido Adolfo Eleutério Carrasco Dias, as primeiras alegrias surgiram da constatação que a burocracia simplificante se bastava com o primeiro nome e o último apelido. Eleutério Carrasco não dava. Também não dava só aquele nem apenas este. Foram efémeras as alegrias, no entanto. Como podiam dois nominhos normais associarem-se em desgraça? Foi muito... Farto do castigo, permito-me esquecer o último apenso. Vale mesmo mais é... Nada.

01/03/2008

abc

- Amelinha alargava a abrangência amorosa, alegremente
- Beijando belos bustos. Bons
- Como celestes cantares.
- Doidona!
- Ena, exclamou Eugénia
- Foge fogosa, filha
- Garantem-se garras
- Hoje
- Imensa ilusão, imensa
- Já!
- Lembra lânguidos lastros
- Memória, menina…
- Não. Nunca, never
- Ora, ora…
- Parece possível pensar petulância poderosa, perfeitamente parva; palavras…
- Quantas?
- Razoavelmente rejeitadas. Razões racionais, realmente
- Safa! Só sons!
- Tonta: tons, tonalidades, tentativas
- Upa!
- Vês? Vê: vincadamente viva, veloz, voraz…
- Xô!
- Zé.