Depois, ao longo dos dias, cada vez que ia falando com um ou com outro, uns comuns conhecidos, outros sem nada saberem do caso, admirados ou apenas conformados, na sua esmagadora maioria transmitiam o receio do mesmo, receio meu por igual, e deixando a ideia de ser uma coisa frequente, própria de quase todo o ser humano.
O medo, em concreto, era este: de um instante para o outro, sem nenhum aviso, sem nenhum sintoma, sem advertência alguma, toda a gente pode desatinar. Não só em pensamentos (esses já ninguém domina, não há quem os segure); não, em acções, em actos exteriores, visíveis e observados, actos que deixam o autor entre o caos social e a vontade aterradora de se enfiar num buraco fundo, ou seja, se dissermos de outro modo, entre a vergonha completa e o desejo intenso de morrer, único remédio completo para a (dis)solução.
As conversas resultaram de um episódio completamente inesperado, mas que, uma vez ocorrido, se alargou no conhecimento, se espalhou como os boatos, se transformou em episódio. Para os mais imediatos, o tema quedava-se na constatação da toleira, Desatinou e pronto!
Para os mais profundos, aqueles que guardavam um espaço para raciocinarem as coisas, para estes, como bem se entende, a questão era mais complexa e a impossibilidade da sua catalogação numa realidade meramente estatística, numa percentagem diminutíssima de nos acontecer, era a fundamentação para o receio de não estarmos, como ninguém, imunes a uma ocorrência similar.
O sucedido deu de si num fim de tarde em que a temperatura na sala era precisamente de vinte e três graus, assim mantida pelo ar condicionado japonês, em regulação prévia pela assessora das temperaturas. Cá fora, porém, o Dezembro estava gelado, dois a três graus se tanto.
Por dever de ofício, eu estava presente. Um dos doze assessores, cada qual na sua especialidade, que reuniam com a Direcção. A agenda tinha Antes da ordem do dia, Aspectos gerais do mercado e competitividade e, em derradeiro ponto, Perspectivas futuras para a implementação acelerada da sociedade empresarial de comunicação. O Director-Geral, primeiro; o Director – Adjunto, de imediato e o Coordenador – Técnico, a seguir, alinhavaram as directrizes do encontro e motivaram a Assembleia para uma participação activa e interessada, ainda que sucinta, precisamente com a finalidade premente da intervenção útil de todos os presentes.
O Antes da ordem do dia passou com conseguida celeridade, sem interrupções, apenas com a chamada de atenção para os gastos desmedidos ao nível da utilização computacional, muito em especial no que ao software respeitava. E, por assim ser, ia-mos entregar aos aludidos Aspectos gerais do mercado e competitividade.
O medo, em concreto, era este: de um instante para o outro, sem nenhum aviso, sem nenhum sintoma, sem advertência alguma, toda a gente pode desatinar. Não só em pensamentos (esses já ninguém domina, não há quem os segure); não, em acções, em actos exteriores, visíveis e observados, actos que deixam o autor entre o caos social e a vontade aterradora de se enfiar num buraco fundo, ou seja, se dissermos de outro modo, entre a vergonha completa e o desejo intenso de morrer, único remédio completo para a (dis)solução.
As conversas resultaram de um episódio completamente inesperado, mas que, uma vez ocorrido, se alargou no conhecimento, se espalhou como os boatos, se transformou em episódio. Para os mais imediatos, o tema quedava-se na constatação da toleira, Desatinou e pronto!
Para os mais profundos, aqueles que guardavam um espaço para raciocinarem as coisas, para estes, como bem se entende, a questão era mais complexa e a impossibilidade da sua catalogação numa realidade meramente estatística, numa percentagem diminutíssima de nos acontecer, era a fundamentação para o receio de não estarmos, como ninguém, imunes a uma ocorrência similar.
O sucedido deu de si num fim de tarde em que a temperatura na sala era precisamente de vinte e três graus, assim mantida pelo ar condicionado japonês, em regulação prévia pela assessora das temperaturas. Cá fora, porém, o Dezembro estava gelado, dois a três graus se tanto.
Por dever de ofício, eu estava presente. Um dos doze assessores, cada qual na sua especialidade, que reuniam com a Direcção. A agenda tinha Antes da ordem do dia, Aspectos gerais do mercado e competitividade e, em derradeiro ponto, Perspectivas futuras para a implementação acelerada da sociedade empresarial de comunicação. O Director-Geral, primeiro; o Director – Adjunto, de imediato e o Coordenador – Técnico, a seguir, alinhavaram as directrizes do encontro e motivaram a Assembleia para uma participação activa e interessada, ainda que sucinta, precisamente com a finalidade premente da intervenção útil de todos os presentes.
O Antes da ordem do dia passou com conseguida celeridade, sem interrupções, apenas com a chamada de atenção para os gastos desmedidos ao nível da utilização computacional, muito em especial no que ao software respeitava. E, por assim ser, ia-mos entregar aos aludidos Aspectos gerais do mercado e competitividade.
(continua)
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