No terceiro posto da brigada, o engenheiro Boaventura caminhava a compasso, ciente de estar prestes a resolver o embaraço: um e noventa e seis de altura, cento e seis de cintura, cento e vinte e seis em peso.
Até se lhe chegar a turma de socorro, doutor Figueiredo já libertara o outro sapato e, com o ímpeto da vontade e de ambas as mãos, deitara as calças abaixo. Agora, repuxava os boxers, lançando no espectáculo um tom grotesco, e completava o quadro com guinchos sibilantes:
«Ai, Fernadinha: o que aqui tenho é tua e minha! Ai Fernadinha: dá-me a tua…; dá-ma e… uma...»
Não se entendeu se o final da frase era só sugestão ou se a rima foi engolida no sufoco do chapadão veloz com que o engenheiro Boaventura, ultrapassando os dois primeiros num salto final que estrondeou o chão, o brindou nos queixos, ao mesmo tempo que a outra mão o retirou ao pedestal e, sem mais, o aturdiu na madeira, colocando o joelho pesado no dorso do tresloucado.
A partir de então, entrou-se num asséptico desenvolvimento da tragédia: o engenheiro Boaventura manteve o bicho preso e quatro seguranças avançaram, com a segurança de generais, para domarem a fera.
Aos gritos de Nandinha, Nandinha, soletrados entre o engasgo e a revolta, foi o artista arrebatado da cena, incapaz de desmanchar o nó dos megabigues que o espalmavam, arredando-o como a um trapo amassado.
Volveu tempo desmedido até que os mais graúdos retornaram ao evento. Em atenção e respeito, esperávamos um recomeço, mas desconfiava-se que o Mundo não mais seria o mesmo. O silêncio era total e só o Engenheiro Boaventura deixava transparecer a compleição do dever cumprido, mas transtornado, mesmo ele. Nós, os outros, olhávamos a doutora Fernanda sem querermos ver, respeitando o embaraço que lhe percorria o corpo. Os chamamentos do tresloucado ficaram na mente de todos, permitindo a cada um aventar hipóteses surdas de histórias pretéritas, onde a doutora tomava lugar de um relevo capaz de levar o homem à loucura.
«Alguma coisa terá havido, ó colega», cochichou-me o Batoca, depois de açambarcar o lugar do expulso, tocando-me o braço em roga de assentimento.
Até se lhe chegar a turma de socorro, doutor Figueiredo já libertara o outro sapato e, com o ímpeto da vontade e de ambas as mãos, deitara as calças abaixo. Agora, repuxava os boxers, lançando no espectáculo um tom grotesco, e completava o quadro com guinchos sibilantes:
«Ai, Fernadinha: o que aqui tenho é tua e minha! Ai Fernadinha: dá-me a tua…; dá-ma e… uma...»
Não se entendeu se o final da frase era só sugestão ou se a rima foi engolida no sufoco do chapadão veloz com que o engenheiro Boaventura, ultrapassando os dois primeiros num salto final que estrondeou o chão, o brindou nos queixos, ao mesmo tempo que a outra mão o retirou ao pedestal e, sem mais, o aturdiu na madeira, colocando o joelho pesado no dorso do tresloucado.
A partir de então, entrou-se num asséptico desenvolvimento da tragédia: o engenheiro Boaventura manteve o bicho preso e quatro seguranças avançaram, com a segurança de generais, para domarem a fera.
Aos gritos de Nandinha, Nandinha, soletrados entre o engasgo e a revolta, foi o artista arrebatado da cena, incapaz de desmanchar o nó dos megabigues que o espalmavam, arredando-o como a um trapo amassado.
Volveu tempo desmedido até que os mais graúdos retornaram ao evento. Em atenção e respeito, esperávamos um recomeço, mas desconfiava-se que o Mundo não mais seria o mesmo. O silêncio era total e só o Engenheiro Boaventura deixava transparecer a compleição do dever cumprido, mas transtornado, mesmo ele. Nós, os outros, olhávamos a doutora Fernanda sem querermos ver, respeitando o embaraço que lhe percorria o corpo. Os chamamentos do tresloucado ficaram na mente de todos, permitindo a cada um aventar hipóteses surdas de histórias pretéritas, onde a doutora tomava lugar de um relevo capaz de levar o homem à loucura.
«Alguma coisa terá havido, ó colega», cochichou-me o Batoca, depois de açambarcar o lugar do expulso, tocando-me o braço em roga de assentimento.
(continua)
1 comentário:
Sr. Ugo.M
Estou esperando...( o resto da história Claro!)
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